[Parte I] Por que assistir doramas épicos (sageuks)?

Olá! Cá estamos nós e com nós eu me refiro a uma pessoa, como sempre com um post um tanto diferente. Já faz algum tempo que eu estou com vontade de escrever isso aqui, mas é claro, a preguiça não estava deixando. Enfim, finalmente nasceu.

Esse tipo de post “porque assistir tal gênero de drama” na verdade é muito comum, já vi vários como o mesmo tema, mas eu queria dar aqui minhas próprias razões. E resolvi liberar ele hoje por motivos de: ANIVERSÁRIO DE 1 ANINHO DO DORAMANIAC! *assopra a velinha*

Resolvi dividir esse post em dois, pra não ficar muito grande. Essa será a primeira parte, falando algumas coisas bem básicas sobre o gênero. O próximo provavelmente será dividido em tópicos, onde eu vou falar um pouquinho sobre as minhas razões pra gostar tanto de dramas épicos.

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Como vocês sabem, ou ao menos devem ter percebido em algum momento, minha grande paixão nesse mundo de doramas são os temidos e muitas vezes rejeitados sageuks.

“Mas tia Hopie, o que caralho é sageuk?”

Pois bem, sageuk é nada mais nada menos do que aquele dorama épico, geralmente baseado em fatos reais, que é ABSURDAMENTE TRÁGICO E TRISTE E ANGUSTIANTE E QUE TE FAZ QUERER MORRER.

Dando uma explicação mais científica:

A palavra sageuk [사극] significa literalmente “drama histórico” e faz referência a toda obra televisiva (filmes, dramas, etc) baseada em figuras ou eventos históricos, ou mesmo que tenham apenas cenários e caracterização histórica, sem nenhum fato verídico. O termo é mais associado a dramas com tramas palacianas cruéis, mas isso não exclui outros dramas históricos. Também é mais comum encontrar sageuks que se passam no final da dinastia Joseon (final do século XVII), mas também não é exclusividade desse período, inclusive os que se passam em Goryeo costumam ser melhores, e os que se passam em Silla são visualmente mais bonitos.

Eu soube que os sageuks se tornaram motivos de treta pra crítica, porque como nós sabemos, a crítica só enche a paciência mesmo que alguns contem histórias reais, os produtores fantasiam muito para que seja atrativo ao público.

“Como assim, tia Hopie?”

Vamos pegar de exemplo os meus dois sageuks favoritos.

Primeiro minha grande paixão: Empress Ki.

Empress Ki é um drama baseado em um momento fatídico da história oriental, quando os mongóis haviam dominado praticamente tudo e Goryeo (Coréia) vivia sob o comando dos imperadores de Yuan (hoje China, que também havia sido dominada pelos mongóis e usada como “sede” do império mongol). Nesse tempo turbulento, Ki Seungnyang, uma mulher de Goryeo, é levada para Yuan como um “tributo humano”, uma concubina, e acaba por se tornar a grande imperatriz de Yuan, depois de ganhar o coração do imperador Huizong (Toghon Temür).

A história real nos dá uma Lady Ki muito forte, exatamente como é apresentada no dorama. Uma mulher determinada, ambiciosa, em alguns momentos até mesmo cruel. Outro ponto de Empress Ki é que os personagens apresentados no drama realmente seguiram seus cursos históricos como deveriam, como Toqto’a [Tal Tal] embora alguns tenham tomado caminhos completamente diferentes, como o irmão da Lady Ki, por exemplo.

Embora existam várias coisas “erradas”, o grande pecado de Empress Ki para com a crítica foi: Rei Wang Yu.

Bem, se você é uma pessoa louca por história como eu, deve saber que durante o período que se passa Empress Ki, Goryeo foi governada pelo Rei Chungmok (que morreu aos 11 anos), pelo Rei Chungjeong (que morreu aos 13) e finalmente pelo famoso Rei Gongmin (que morreu aos 44, sendo sucedido pelo Rei U, que foi sucedido pelo Rei Chang, que foi sucedido pelo Rei Gongnyang, que foi finalmente sucedido por Taejo de Joseon, mas isso é assunto pro próximo tópico).

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De fato todos os reis que governaram durante esse período eram da Casa de Wang, mas não existiu nenhum rei com o nome de Wang Yu (somente o príncipe Sunhwa, que faleceu em 1360 e que não tem qualquer ligação com a história contada no drama).

Bem, como podemos imaginar, Wang Yu foi enfiado na história para criar um triângulo amoroso que nunca existiu, e embora a crítica tenha abominado isso, chegando a dizer que Empress Ki distorceu a história e enganou o público, todos nós amamos Wang Yu mais do que deveríamos (e talvez mais do que amamos Toghon, que só faz raiva na gente o dorama todo, convenhamos).

Outro exemplo é: Six Flying Dragons.

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Esse drama conta a história da grande revolução bolada por Jeong Dojeon, que ficou conhecido na história coreana como professor Sambong. Dojeon foi um conselheiro de Yi Seonggye (Rei Taejo de Joseon) e também o arquiteto principal das políticas da dinastia Joseon, estabelecendo os quadros ideológicos, institucionais e legais do reino que sobreviveria por cinco séculos.

Honestamente, com tudo que eu já li até hoje sobre essa revolução, o drama me pareceu até que bem fiel (bem mais do que Empress Ki). Não é uma história contada exatamente como deveria, até porque Six Flying Dragons tem MUITOS personagens fictícios (inclusive 3 dos 6 dragões), mas ainda assim o drama conseguiu contar muito bem a história. No geral, foi fácil de entender e associar a revolução do drama com a revolução real. 

A ideologia de Sambong, a força e o poder de Seonggye, os tramites de Yi Bang Won e como sua loucura foi essencial para o estabelecimento da nova dinastia. E também várias cenas reais foram reconstruídas, como o fatídico dia em que Sambong ateou fogo nos documentos que estabeleciam a divisão de terra, para que assim tivessem que recomeçar a distribuição de terra do zero e fazê-la de forma justa.

É claro que Six Flying Dragons também recebeu críticas, principalmente em relação a adição de personagens fictícios, mesmo que um deles (meu amado Moo Hyul) tenha sido adotado pela história coreana.

Mesmo com toda a controvérsia em relação a esses dois dramas e a todos os outros (a crítica enche o saco mesmo), acho que os sageuks ainda são uma fonte gigantesca de conhecimentos sobre a história da Coréia.

“Mas tia Hopie, como caralhos isso pode ajudar a saber sobre a história da Coréia se há tantas coisas que não são reais?”

Simples bae: pesquise, estude, procure.

Os doramas épicos sempre servem pra mim como um pontapé para que eu comece estudar uma nova coisa sobre a história da Coréia.

Foi graças a Empress Ki que eu acabei sabendo tanta coisa sobre a invasão mongol (eu cheguei a comprar vários livros sobre o assunto).

Foi graças a Six Flying Dragons que eu estudei fervorosamente a revolução de 1392 e a troca de dinastia (e acabei por estudar uma lista gigantesca com todos os monarcas coreanos, do reino Gojoseon no século 9 antes de cristo, ao Império Coreano que se iniciou em 1897 e acabou em 1910).

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Eu já conhecia a história dos Hwarangs (por causa de A Frozen Flower), mas foi graças ao drama que eu me dediquei a saber mais sobre eles.

O segredo é não se limitar ao que nos contam os dramas e sim usá-los como um ponto de partida para estudo. Isso é claro, se você for uma pessoa interessada em história e quiser saber mais, saber o que está certo e o que não está. Fingir interesse é algo que eu realmente abomino.

Mas é claro, sageuks não se limitam apenas a contar histórias reais, mesmo que mal contadas. Existem ótimos dramas históricos que são completamente fictícios, e que usam e abusam do gênero fantasia, como é o caso de Mirror of the Witch e The Night Watchman’s Journal (que surpreendentemente tinham efeitos especiais maravilhosos, o que é muito raro. Tenho trauminha de efeitos especiais em doramas, porque geralmente eles fazem de uma forma muito zoada e vergonhosa).

Existem também dramas que usam personagens históricos reais, mas contam a história de forma fantasiada, como é o caso de Moon Lovers, que usou a viagem no tempo.

E também aqueles que mesclam o presente com o passado, como Goblin e The legend of the blue sea, que contam basicamente duas histórias ao mesmo tempo.

E é claro, aquele maravilhoso clichezão cheio de k-idols e plot sem graça e forçado feito apenas com o intuito de chamar a atenção. Aqui eu não vou citar nenhum, porque são dramas famosinhos, como era de se esperar, então provavelmente vão me caçar nas ruas e enfiar uma faca nas minhas costas.

ENFIM, também preciso dizer que, antes de recomendar um sageuk pra alguém, eu sempre pergunto se essa pessoa já teve contato com esse tipo de gênero antes, também costumo perguntar que tipo de gênero essa pessoa costuma assistir, se a resposta for “comédia romântica” eu só dou uma dica: fuja.

Fuja porque é um caminho sem volta. Fuja porque você vai sofrer muito, mesmo nos clichezões cheios de k-idols feitos pra chamar a atenção. Fuja porque fã de sageuk não tem saco pra aguentar ninguém reclamando que tal personagem morreu. Inclusive já começamos a assistir qualquer drama épico fazendo apostas sobre quem vai morrer, e geralmente acertamos.

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Mas se você tá mesmo afim de entrar nesse maravilhoso mundo de sofrimento, seja muito bem vindo.

No próximo post, como eu já disse, vou fazer alguns tópicos com as razões pelas quais eu acho que vale muito a pena se entregar aos sageuks, espero ver vocês lá, e espero convencer quem ainda tá na dúvida!

안녕~

 

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